quarta-feira, 27 de maio de 2015

Blood Mary




Conhecida também como A Bruxa do Espelho,Blood Mary é um espírito vingativo que surge quando uma jovem, envolta em seu cobertor, sussurra, à meia-noite, iluminado por velas. diante do espelho da casa de banho banho, 3 vezes as palavras Bloody Mary.

Segundo a lenda, o espírito de uma mulher cadavérica surge refletido no espelho e mata de forma sangrenta e violenta as pessoas que estão na casa de banho. Há quem diga que Mary foi executada há cem anos atrás por praticar as artes negras, mas há também uma história mais recente envolvendo uma bela e extremamente vaidosa adolescente que, devido a um terrível acidente de automóvel, ficou com a face completamente desfigurada. Sofrendo muito preconceito, principalmente de seus amigos e familiares, ela decidiu vender a alma ao diabo pela chance de se vingar dos jovens que cultivam a aparência.

Muitos confundem a lenda da bruxa do espelho com a história da Rainha Maria Tudor (Greenwich 1516 - Londres 1558), filha de Henrique VIII e de Catarina de Aragão. Tendo se tornado rainha em 1553, esforçou-se para restabelecer o catolicismo na Inglaterra. Suas perseguições contra os protestantes valeram-lhe o cognome "Maria, a Sanguinária" (Bloody Mary).

Em 1554, desposou Filipe II da Espanha. Essa união, que indignou a opinião pública inglesa, ocasionou uma guerra desastrosa com a França, que levou à perda de Calais (1558). Dizem que a Rainha, para manter a beleza, tomava banho com sangue de jovens garotas, mas é um fato não confirmado em sua biografia. No princípio da década de 70, muitos jovens tentaram realizar o ritual pois era comum nas casas suburbanas a presença de longos espelhos nas casas de banho banho sem janelas (pouca iluminação). Há um caso famoso de uma jovem nova-iorquina que dizia não acreditar na lenda, mas após realizar a "mórbida brincadeira", levou um empurrão (é o que os familiares dizem), quebrou o lavatório e foi encontrada em estado de coma.

A jovem ainda vive nos EUA, mas sua identidade é um sigilo absoluto.
É possível que essas crenças em bruxas do espelho tenham a sua origem nos velhos tempos, através das simpatias envolvendo jovens solteiras e futuros maridos. Há muitas variações desses rituais em que as jovens solteiras cantavam rimas diante dos espelhos e olhavam de súbito pois seria possível ver o reflexo do homem com quem vão casar. Já o conceito de espelhos como o portal entre o mundo da realidade e o sobrenatural também veio de épocas remotas. Antigamente, era comum cobrir os espelhos de uma casa em que uma morte tenha acontecido até o corpo ser levado para o enterro. Dizem que se por relance o corpo passar diante de algum espelho, o morto permaneceria na casa, pois o espelho apoderar-se-ia do seu espírito. 
mausoleunm.com

10 filmes de terror mais esperados da Rant tela de 2015

Insidious Poster Cut Rants tela de 10 filmes de terror mais esperados de 2015
Horror é um gênero que não é nada se não for diversa; não importa onde seus interesses nicho mentir, há algo para todo mundo sob o guarda-chuva do horror. O mesmo pode ser dito de ardósia 2015 da liberação horror, que é uma miscelânea goria de todo o tipo de horror sub-categoria que se possa imaginar.
Preciso de sua história de fantasmas corrigir? Confira. À procura de uma tomada fresca ou dois em decomposição casca de cinema zumbi? Confira. Como cerca de uma reinvenção de uma narrativa de terror clássico, ou bravura, as ofertas indie-minded?Verifique, confira. De palhaços maus, a espectros perversos, para mortos-vivos voraz, para passar férias-centric monstros - 2015 tem todo um fã horror poderia pedir e muito mais. Não acredita? Leia mais para ver nossos  filmes de terror mais esperados de 2015:
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10. Atividade Paranormal 5: A Dimensão Santo

Atividade Paranormal 2 Katie Rants tela de 10 filmes de terror mais esperados de 2015
Data de lançamento:  13 de março de 2015. Elenco: Katie Featherstone, Billy Shepperd, Tyler Craig .
Admitindo-se que o mais recente  Atividade Paranormal  filme - spin-off de janeiro passado,  Atividade Paranormal: os marcados - fez mais de um respingo na bilheteria do que entre os espectadores; certo que a história está ficando sem gás, talvez um efeito colateral de sua duração estendida. Mas talvez toda a série precisa de redescobrir a sua marca registrada vitalidade low-fi é sangue novo?
Digite o longo tempo de editor, diretor estreante Gregory Plotkin, que lidera um elenco não testado das vítimas contra a vilania de Featherstone recorrente em Paranormal Acvitiy: A Dimensão Santo , pronto para chegar aos cinemas depois de ser retida de um release de 2014. O básico é familiar - a família em uma casa suburbana assombrada por estranhos, ocorrências inexplicáveis ​​- mas um novo conjunto de olhos poderia ser apenas a coisa para orientar esta franquia doente de volta no caminho certo.
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9. Amityville: The Awakening

Amityville Awakening Thorne Rants tela de 10 filmes de terror mais esperados de 2015
Data de lançamento: TBD. Elenco: Bella Thorne, Jennifer Jason Leigh, Cameron Monaghan, Kurtwood Smith .
Ok, sim, todas as atualizações recentes sobre  The Amityville Horror  - de veículo Ryan Reynolds 2005 é de um par de esforços de TV digital - têm sido pouco inspirador na melhor das hipóteses. Então, por que a saga do duodécimo entrada merecem atenção especial? Porque é dirigido por Franck Khalfoun, diretor de 2012 do excelente  Maniac, um remake amparada por um estilo visual incrível e um tremendo desempenho Elijah Wood.
Se Khalfoun traz o mesmo flair estilística para  Amityville: The Awakening que ele fez para  Maniac , em seguida, sua opinião sobre a fórmula - em que Jennifer Jason Leigh move seus filhos inconscientes na casa Amityville - deve ser facilmente vale uma olhada.
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8. 31

31 de Rob Zombie Heads Rants tela de 10 filmes de terror mais esperados de 2015
Data de lançamento: TBD. Elenco: N / A. 
Além premissa, há pouco conhecida sobre o mais recente (crowdfunded!) Esforço tela de Rob Zombie. Mas isso é bom, porque, como instalações vão, este é garantido para girar as cabeças. Cinco pessoas são obrigadas a competir em um jogo (chamado 31), onde o objetivo é "matar ou ser morto." Eles estão lançados contra um bando de palhaços vis conhecidas como "as cabeças" e dado 12 horas para sobreviver em um homem matadouro-made chamado Murder Mundial.
Crescimento. É isto. O filme não tem, actualmente distribuição, eo elenco não foi revelado (embora IMDB lista tanto Sherri Lua Zombie e Bari Suzuki como diretores).Mas Zombie prometeu que 31  é seu filme mais brutal ainda, e com uma sinopse que insano, os fãs de horror vão encontrar uma maneira de ver isso, apesar de tudo.
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7. Cooties

Cooties Madeira Rants tela Elenco 10 filmes de terror mais esperados de 2015
Data de lançamento: TBD. Elenco: Elijah Wood, Rainn Wilson, Alison Pil, Jack McBrayer, Leigh Whannell, Jorge Garcia, Nasim Pedrad. 
Falando de grandes conceitos, como sobre um filme de zumbi para as crianças? Ou, mais precisamente, um filme de zumbi  sobre  crianças que são infectadas com um vírus e se transformar em monstros sanguinários. É professores contra alunos, com Wood, Wilson, e Pil lutando por suas vidas contra tykes canibais. O PTA Nacional deveria ter um dia de campo com esse resumo da trama.
Seriamente, embora, como pode um aficionado zombie resistir? Filmes de zumbis tendem a inclinar-se em clichês mais do que a maioria dos arquétipos de terror, mas Cooties  - que estreou no Sundance Film Festival do ano passado, mas não conseguiu encontrar uma liberação 2014 como planejado - é um romance tentativa de mexer com elementos de verdade e tentou lore e chegando com entretenimento originais gruesomely.
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6. Insidious: Capítulo 3

Insidious 3 Scott Rants tela de 10 filmes de terror mais esperados de 2015
Data de lançamento: 05 de junho de 2015. Elenco: Dermot Mulroney, Stephanie Scott, Lin Shaye.
Como Paranormal Activity  e  The Amityville Horror , o  Insidious  série começou a tomar um slide para trás em direção a inferioridade , sendo 2013 de  Insidious: Capítulo 2 . Corta para agora e nós estamos olhando para o cano de  Insidious: Capítulo 3 , a próxima parcela nesta eidolic crónica, mas sem o benefício de ter James Wan as rédeas e Rose Byrne e Patrick Wilson no pelotão da frente do elenco.
Sabiamente, porém, Insidious: Capítulo 3 parece perceber que a avançar com uma narrativa que é o seu curso é uma receita para a estagnação. Assim, somos levados de volta antes dos eventos dos dois primeiros filmes, como Mulroney luta paraproteger sua filha de entidades malévolas da ulterior - com a ajuda de ícone horror Shaye e escritor da série Leigh Whannell, que pisa no papel do diretor de Pela primeira vez em sua carreira com este filme.screenrant.com 

O Castelo de Glamis


Conhecido como o castelo mais bonito da Escócia, localizado na aldeia de Glamis ao leste do país. Ele pertence a família Bowes-Lyon, um dos clãs mais antigos da nobreza escocesa e sendo a residência da Condessa de Strathmore, que abre o castelo para visitas públicas.
Apesar de todo o peso histórico e beleza o Castelo de Glamis é responsável por colecionar lendas e histórias medonhas.

Uma de suas mais conhecidas é a Grey Lady, em português significa Dama Cinza, que segundo as histórias assombra a capela do castelo e a torre do relógio da cidade. A tal Dama Cinza poderia ser correspondente ao espírito da Lady Janet Douglas, que foi queimada viva durante a inquisição, com a acusação de ter sido uma bruxa e ter tentado envenenar o rei.
Outros fantasmas foram vistos por lá. O de uma mulher sem língua que assombra as janelas e varandas do castelo, segundo as testemunhas ela também corre pelo parque do castelo apontando para seu rosto mutilado.
Há também o fantasma de um jovem negro que foi servente do castelo há 200 anos, dizem que ele assombra uma pedra perto ao quarto da rainha.
Mas as histórias assustadoras não sem contém apenas nos fantasmas, mas sim na história de todo o castelo e do clã.
Segundo a lenda o castelo é assombrado pois uma antiga maldição foi jogada em cima da família pelo Sir John Lyon, que removeu um antigo cálice do trono de Forteviot, onde ele deveria ficar para sempre.

Uma das maiores lendas folclóricas ao redor daquele castelo é o da sala secreta. Uma sala escondida numa torre. Essa tal sala deveria ser sem janelas do lado de dentro, apesar de que do lado de fora essas janelas seriam visíveis, como se fossem falsas.
São várias as histórias para a origem dessa sala, mas a mais popular é que ela esconde um monstro. Em 1821 um bebê da nobreza nasceu incrivelmente deformado, para escondê-lo inventaram que o garoto havia morrido e o colocaram na tal sala secreta. Só que o garoto sobreviveu e cresceu, se tornando muito forte e capaz de sobreviver por centenas de anos. Dizem que um trabalhador acidentalmente encontrou a sala quando quebrou uma parede para fazer alterações no castelo, revelando uma passagem secreta. Em troca de seu silêncio ofereceram uma alta quantia de dinheiro.
Outra história (dessa vez uma mais real) afirma que essa sala é onde, na verdade, colocam os corpos dos inimigos da família, que foram colocados ali parar morrer de fome e apodrecer. Uma das histórias mais interessantes ao redor desse castelo conta que Earl Beardie, um dos Lordes de Crawford, que era um homem cruel e indulgente, perdeu sua alma para o Diabo num jogo de cartas.
Segundo a história, num domingo após uma bebedeira ele gritou com várias pessoas para que elas jogassem cartas com ele, apesar dos berros ninguém quis, enfurecido o Lorde gritou que jogaria com o próprio Diabo. Nesse exato momento um homem, vestido todo de preto, bateu na porta do castelo e perguntou ao Lorde se ele estava procurando por um parceiro para jogar cartas. Ele aceitou e foi até uma sala com o homem, trancou a porta e então eles começaram a jogar. Depois disso vários gritos e pedidos foram escutados de dentro daquela sala, um servente quis espiar pelo buraco da chave e acabou vendo uma luz muito forte que cegou aquele olho.
Depois do tal jogo o Lorde abriu a porta e o tal homem havia desaparecido, assim como a alma do Lorde de Crawford, que foi entregue ao Diabo naquele dia.

Bem, apesar das historias o castelo é um belo lugar. Existem vários vídeos no YouTube sobre o castelo, esse é um deles:



E vocês, aceitam passar uma noite no castelo de Glamis?onaturaleosobrenatural.com

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O gato e o escrivão

 As famílias de Demdike Southerns e Chattox Whittle eram poderosas, viviam de bruxaria e dominavam Pendle Hill na primeira década do século XVII. Potts, hábil e ardiloso escrivão da corte, interessado naquelas terras do condado de Lancaster, tramou de botar os Southerns contra os Whittle. À época Potts não fazia ideia do poderio das feiticeiras; da seqüência de eventos insólitos e maravilhosos que havia desencadeado. Chattox e Demdike pareciam mesmo em transe, envolvidas em misterioso combate de ocultismo. Inteligente, Potts tomava notas de tudo o que se passava ao seu redor. A confusão foi tamanha que as Whittle e as Southerns foram julgadas e condenadas por bruxaria, tendo ficado Potts com suas posses em troca da entrega de seu manuscrito “A Descoberta das Bruxas no Condado de Lancaster” à corte. Pouco antes de morrer, Chattox soube da trama de Potts, transformou sua filha Anne num gato e o colocou mumificado numa das paredes de sua casa; para que ela voltasse à vida 400 anos depois. jorgexerxes.wordpress.com/

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O Flautista de Hamelin


É um conto adaptado pelos Irmãos Grimm, para descrever um estranho fato que ocorreu na cidade de Hamelin, na Alemanha em 1284.
Hamelin estava infestada de ratos, então ninguém sabia o que fazer, as pessoas tentaram de tudo, mas os ratos só estavam se alastrando mais ainda até que um dia, um forasteiro chegou à cidade, dizendo ser um ‘’caçador de ratos’’.

O homem disse que tinha a solução para que os ratos sumissem da cidade, e as pessoas prometeram um bom pagamento a ele, uma moeda de ouro para cada rato que ele matasse. O homem aceitou o acordo e começou o trabalho. Pegou uma flauta e assoprando, hipnotizou todos os ratos da cidade, atraindo eles com seu som até um rio, e fazendo todos eles se afogar.


Obtendo sucesso em sua missão, as pessoas não conseguiram pagar a divida, fazendo assim que ele se irritasse, e saísse da cidade. Semanas depois, em um domingo de manhã quando toda população estava na igreja, o flautista retornou a cidade tocando sua flauta, hipnotizando todas as crianças de Hamelin, menos três delas que se salvaram para contar o ocorrido.


130 crianças saíram acompanhando o flautista até uma caverna que ficava fora da cidade e elas nunca mais foram vistas. Ninguém soube contar o que ele fez com elas lá dentro, as hipóteses que foram levantadas foram assassinato depois de pedofilia na caverna escura.
As três crianças que restaram na cidade puderam contar o ocorrido, uma delas era cega(não conseguiu ver o caminho), outra surda(não ouvia a flauta) e a ultima usava muletas (não conseguiu acompanhar as outras crianças já próximas a caverna). 


Em uma igreja de Hamelin, ainda existe uma vitral em memória do trágico ocorrido em tempos medievais, tendo o Flautista representado em uma roupa colorida, e as crianças de branco.




Esta historia não era necessária para este especial de contos de fadas originais, por ela ser um fato real ocorrido em tempos medievais, porém, ela se espalhou pelo mundo como um,então até hoje fica sem explicação plausível, sendo um mistério fantástico.






Não espero nem solicito o crédito do leitor para a tão extraordinária e no entanto tão familiar história que vou contar. Louco seria esperá-lo, num caso cuja evidência até os meus próprios sentidos se recusam a aceitar. No entanto não estou louco, e com toda a certeza que não estou a sonhar. Mas porque posso morrer amanhã, quero aliviar hoje o meu espírito. O meu fim imediato é mostrar ao mundo, simples, sucintamente e sem comentários, uma série de meros acontecimentos domésticos. 

Nas suas consequências, estes acontecimentos aterrorizaram-me, torturaram-me, destruíram-me. No entanto, não procurarei esclarecê-los. O sentimento que em mim despertaram foi quase exclusivamente o de terror; a muitos outros parecerão menos terríveis do que extravagantes. Mais tarde, será possível que se encontre uma inteligência qualquer que reduza a minha fantasia a uma banalidade. Qualquer inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que a minha encontrará tão somente nas circunstâncias que relato com terror uma sequência bastante normal de causas e efeitos. 

Já na minha infância era notado pela docilidade e humanidade do meu carácter. Tão nobre era a ternura do meu coração, que eu acabava por tornar-me num joguete dos meus companheiros. Tinha uma especial afeição pelos animais e os meus pais permitiam-me possuir uma grande variedade deles. Com eles passava a maior parte do meu tempo e nunca me sentia tão feliz como quando lhes dava de comer e os acariciava. Esta faceta do meu carácter acentuou-se com os anos, e, quando homem, aí achava uma das minhas principais fontes de prazer. Quanto àqueles que já tiveram uma afeição por um cão fiel e sagaz, escusado será preocupar-me com explicar-lhes a natureza ou a intensidade da compensação que daí se pode tirar. No amor desinteressado de um animal, no sacrifício de si mesmo, alguma coisa há que vai direito ao coração de quem tão frequentemente pôde comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade do homem. 

Casei jovem e tive a felicidade de achar na minha mulher uma disposição de espírito que não era contrária à minha. Vendo o meu gosto por animais domésticos, nunca perdia a oportunidade de me proporcionar alguns exemplares das espécies mais agradáveis. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um lindo cão, coelhos, um macaquinho, e um gato. 

Este último era um animal notavelmente forte e belo, completamente preto e excepcionalmente esperto. Quando falávamos da sua inteligência, a minha mulher, que não era de todo impermeável à superstição, fazia frequentes alusões à crença popular que considera todos os gatos pretos como feiticeiras disfarçadas. Não quero dizer que falasse deste assunto sempre a sério, e se me refiro agora a isto não é por qualquer motivo especial, mas apenas porque me veio à ideia. Plutão, assim se chamava o gato, era o meu amigo predilecto e companheiro de brincadeiras. Só eu lhe dava de comer e seguia-me por toda a parte, dentro de casa. Era até com dificuldade que conseguia impedir que me seguisse na rua. 

A nossa amizade durou assim vários anos, durante os quais o meu temperamento e o meu carácter sofreram uma alteração radical - envergonho-me de o confessar - para pior, devido ao demónio da intemperança. De dia para dia me tornava mais taciturno, mais irritável, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Permitia-me usar de uma linguagem brutal com minha mulher. Com o tempo, cheguei até a usar de violência. Evidentemente que os meus pobres animaizinhos sentiram a transformação do meu carácter. Não só os desprezava como os tratava mal. Por Plutão, porém, ainda nutria uma certa consideração que me não deixava maltratá-lo. Quanto aos outros, não tinha escrúpulos em maltratar os coelhos, o macaco e até o cão, quando por acaso ou por afeição se atravessavam no meu caminho. 

Mas a doença tomava conta de mim - pois que doença se assemelha à do álcool? - e, por fim, até o próprio Plutão, que estava a ficar velho e, por consequência, um tanto impertinente, até o próprio Plutão começou a sentir os efeitos do meu carácter perverso. 

Certa noite, ao regressar a casa, completamente embriagado, de volta de um dos tugúrios da cidade, pareceu-me que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, horrorizado com a violência do meu gesto, feriu-me ligeiramente na mão com os dentes. Uma fúria dos demónios imediatamente se apossou de mim. Não me reconhecia. Dir-se-ia que a minha alma original se evolara do meu corpo num instante e uma ruindade mais do que demoníaca, saturada de genebra, fazia estremecer cada uma das fibras do meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pelo pescoço e, deliberadamente, arranquei-lhe um olho da órbita! Queima-me a vergonha e todo eu estremeço ao escrever esta abominável atrocidade. 

Quando, com a manhã, me voltou a razão, quando se dissiparam os vapores da minha noite de estúrdia, experimentei um sentimento misto de horror e de remorso pelo crime que tinha cometido. Mas era um sentimento frágil e equívoco e o meu espírito continuava insensível. Voltei a mergulhar nos excessos, e depressa afoguei no álcool toda a recordação do acto. 

Entretanto, o gato curou-se lentamente. A órbita agora vazia apresentava, na verdade, um aspecto horroroso, mas o animal não aparentava qualquer sofrimento. Vagueava pela casa como de costume, mas, como seria de esperar, fugia aterrorizado quando eu me aproximava. Porém, restava-me ainda o suficiente do meu velho coração para me sentir agravado por esta evidente antipatia da parte de um animal que outrora tanto gostara de mim. Em breve este sentimento deu lugar à irritação. E para minha queda final e irrevogável, o espírito da PERVERSIDADE fez de seguida a sua aparição. Deste espírito não cura a filosofia. No entanto, não estou mais certo da existência da minha alma do que do facto que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano; uma dessas indivisas faculdades primárias, ou sentimentos, que deu uma direcção ao carácter do homem. Quem se não surpreendeu já uma centena de vezes cometendo uma acção néscia ou vil, pela única razão de saber que a não devia cometer? Não temos nós uma inclinação perpétua, pese ao melhor do nosso juízo, para violar aquilo que constitui a Lei, só porque sabemos que o é? E digo que este espírito de perversidade surgiu para minha perda final. Foi este anseio insondável da alma por se atormentar, por oferecer violência à sua própria natureza, por fazer o mal só pelo mal, que me forçou a continuar e, finalmente, a consumar a maldade que infligi ao inofensivo animal. Certa manhã, a sangue-frio, passei-lhe um nó corredio ao pescoço e enforquei-o no ramo de uma árvore; enforquei-o com as lágrimas a saltarem-me dos olhos e com o mais amargo remorso no coração; enforquei-o porque sabia que me tinha tido afeição e porque sabia que não me tinha dado razão para a torpeza; enforquei-o porque sabia que ao fazê-lo estava cometendo um pecado, um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal a ponto de a colocar, se tal fosse possível, mesmo para além do alcance da infinita misericórdia do Deus Mais Piedoso e Mais Severo. 

Na noite do próprio dia em que este acto cruel foi perpetrado, fui acordado do sono aos gritos de «Fogo!». As cortinas da minha cama estavam em chamas; toda a casa era um braseiro. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do incêndio. A destruição foi completa. Todos os meus bens materiais foram destruídos, e daí em diante mergulhei no desespero. 

Sou superior à fraqueza de procurar estabelecer uma seqüência de causa a efeito entre a atrocidade e o desastre. Limito-me, porém, a narrar uma cadeia de acontecimentos e não quero deixar nem um elo sequer incompleto. Nos dias que se sucederam ao incêndio, visitei as ruínas. As paredes, à exceção de uma, tinham abatido por completo. Esta exceção era constituída por um tabique interior, não muito espesso, que estava sensivelmente a meio da casa, e de encontro ao qual antes ficava a cabeceira da minha cama. O reboco resistira em grande parte à ação do fogo, fato que atribuo a ter sido pouco antes restaurado. 

Próximo desta parede juntara-se uma densa multidão e muitas pessoas pareciam estar a examinar certa zona em particular, com minúcia e grande atenção. A minha curiosidade foi despertada pelas palavras «estranho», «singular» e outras expressões semelhantes. Aproximei-me e vi, como se fora gravado em baixo revelo, sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem estava desenhada com uma precisão realmente espantosa. Em volta do pescoço do animal estava uma corda.

Mal vi a aparição, pois nem podia pensar que doutra coisa se tratasse, o meu assombro e o meu terror foram imensos. Por fim, a reflexão veio em meu auxílio. Lembrei-me que o gato fora enforcado num jardim junto à casa. Após o alarme de incêndio, O dito jardim fora imediatamente invadido pela multidão e por alguém que deve ter cortado a corda do gato e o deve ter lançado para dentro do meu quarto, por uma janela aberta. Isto deve ter sido feito, provavelmente, com a intenção de me acordar. A queda das outras paredes tinha comprimido a vítima da minha crueldade na substância do reboco recentemente aplicado e cuja cal, combinada com as chamas e o amoníaco do cadáver, tinha produzido a imagem tal como eu a via. 

Tendo assim satisfeito prontamente a minha razão - que não totalmente a minha consciência - sobre o facto extraordinário atrás descrito, não deixou este, no entanto, de causar profunda impressão na minha imaginação. Durante meses não consegui libertar-me do fantasma do gato, e, durante este período, voltou-me ao espírito uma espécie de sentimento que parecia remorso, mas que o não era. Cheguei ao ponto de lamentar a perda do animal e a procurar à minha volta, nos sórdidos tugúrios que agora frequentava com assiduidade, um outro animal da mesma espécie e bastante parecido que preenchesse o seu lugar. 

Uma noite, estava eu sentado meio aturdido num antro mais do que infamante, a minha atenção foi despertada por um objecto preto que repousava no topo de um dos enormes toneis de gin ou de rum que constituíam o principal mobiliário do compartimento. Havia minutos que olhava para a parte superior do tonel, e o que agora me causava surpresa era o facto de não me ter apercebido mais cedo do objecto que estava em cima. Aproximei-me e toquei-lhe com a mão. Era um gato preto, um gato enorme, tão grande como Plutão e semelhante a ele em todos os aspectos menos num. Plutão não tinha sequer um único pêlo branco no corpo, enquanto este gato tinha uma mancha branca, grande mas indefinida, que lhe cobria toda a região do peito. 

Quando lhe toquei, imediatamente se levantou e ronronou com força, roçou-se pela minha mão, e parecia contente por o ter notado. Era este, pois, o animal que eu procurava. Imediatamente propus a compra ao dono, mas este nada tinha a reclamar pelo animal, nada sabia a seu respeito, nunca o tinha visto até então. 

Continuei a acariciá-lo, e quando me preparava para ir para casa, o animal mostrou-se disposto a acompanhar-me. Permiti que o fizesse, inclinando-me de vez em quando para o acariciar enquanto caminhava. Quando chegou a casa, adaptou-se logo e logo se tornou muito amigo da minha mulher. 

Pela minha parte, não tardou em surgir em mim uma antipatia por ele. Era exactamente o reverso do que eu esperava, mas, não sei como nem porquê, a sua evidente ternura por mim desgostava-me e aborrecia-me. Lentamente, a pouco e pouco, esses sentimentos de desgosto e de aborrecimento transformaram-se na amargura do ódio. Evitava o animal; um certo sentimento de vergonha e a lembrança do meu anterior acto de crueldade impediram-me de o maltratar fisicamente. Abstive-me, durante semanas, de o maltratar ou exercer sobre ele qualquer violência, mas, gradualmente, muito gradualmente, cheguei a nutrir por ele um horror indizível e a fugir silenciosamente da sua odiosa presença como do bafo da peste. 

O que aumentou, sem dúvida, o meu ódio pelo animal foi descobrir, na manhã do dia seguinte a tê-lo trazido para casa, que, tal como Plutão, tinha também sido privado de um dos seus olhos. Esta circunstância, contudo, mais afeição despertou na minha mulher, que, como já disse, possuía em alto grau aquele sentimento de humanidade que fora em tempos característica minha e a fonte de muitos dos meus prazeres mais simples e mais puros. 

Com a minha aversão pelo gato parecia crescer nele a sua preferência por mim. Seguia os meus passos com uma pertinácia que seria difícil fazer compreender ao leitor. Sempre que me sentava, enroscava-se debaixo da minha cadeira ou saltava-me para os joelhos, cobrindo-me com as suas repugnantes carícias. Se me levantava para caminhar, metia-se-me entre os pés e quase me fazia cair ou, fincando as suas garras compridas e aguçadas no meu roupão, trepava-me até ao peito. Em tais momentos, embora a minha vontade fosse matá-lo com uma pancada, era impedido de o fazer, em parte pela lembrança do meu crime anterior mas, principalmente, devo desde já confessá-lo, por um verdadeiro medo do animal. 

Este medo não era exactamente o receio de um mal físico; no entanto, é me difícil defini-lo de outro modo. Quase me envergonhava admitir - sim, mesmo aqui, nesta cela de malfeitor, eu me envergonho de admitir - que o terror e o horror que o animal me infundia se viam acrescidos de uma das fantasias mais perfeitas que é possível conceber. Minha mulher tinha-me chamado várias vezes a atenção para o aspecto da mancha de pêlo branco de que já falei, e que era a única diferença aparente entre o estranho animal e aquele que eu tinha eliminado. O leitor lembrar-se-á que esta marca, embora grande, era, originariamente, bastante indefinida, mas, gradualmente, por fases quase imperceptíveis e que durante muito tempo a minha razão lutou por rejeitar como fantasiosas, assumira, finalmente, uma rigorosa nitidez de contornos. Era agora a imagem de um objecto que me repugna mencionar, e por isso eu o odiava e temia acima de tudo, e ter-me-ia visto livre do monstro se o ousasse. Era agora a imagem de uma coisa abominável e sinistra: a imagem da forca!, oh!, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte. 

Por essa altura, eu era, na verdade, um miserável maior do que toda a miséria humana. E um bruto animal cujo semelhante eu destruíra com desprezo, um bruto animal a comandar-me, a mim, um homem, feito à imagem do Altíssimo - oh!, desventura insuportável. Ah, nem de dia nem de noite, nunca, oh!, nunca mais, conheci a bênção do repouso! Durante o dia o animal não me deixava um só momento. De noite, a cada hora, quando despertava dos meus sonhos cheios de indefinível angústia, era para sentir o bafo quente daquela coisa sobre o meu rosto e o seu peso enorme, encarnação de um pesadelo que eu não tinha forças para afastar, pesando-me eternamente sobre o coração. Sob a pressão de tormentos como estes, os fracos resquícios do bem que havia em mim desapareceram. Só os pensamentos pecaminosos me eram familiares - os mais sombrios e os mais infames dos pensamentos. A tristeza do meu temperamento aumentou até se tornar em ódio a tudo e à humanidade inteira. Entretanto, a minha dedicada mulher era a vítima mais usual e paciente das súbitas, frequentes e incontroláveis explosões de fúria a que então me abandonava cegamente. 

Um dia acompanhou-me, por qualquer afazer doméstico, à cave do velho edifício onde a nossa pobreza nos forçava a habitar. O gato seguiu-me nas escadas íngremes e quase me derrubou, o que me exasperou até à loucura. Apoderei-me de um machado, e desvanecendo-se na minha fúria o receio infantil que até então tinha detido a minha mão, desferi um golpe sobre o animal, que seria fatal se o tivesse atingido como eu queria. Mas o golpe foi sustido diabólicamente pela mão da minha mulher. Enraivecido pela sua intromissão, libertei o braço da sua mão e enterrei-lhe o machado no crânio. Caiu morta, ali mesmo, sem um queixume. 

Consumado este horrível crime, entreguei-me de seguida, com toda a determinação, à tarefa de esconder o corpo. Sabia que não o podia retirar de casa, quer de dia quer de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos. Muitos projectos se atropelaram no meu cérebro. Em dado momento, cheguei a pensar em cortar o corpo em pequenos pedaços e destruí-los um a um pelo fogo. Noutro, decidi abrir uma cova no chão da cave. Depois pensei deitá-lo ao poço do jardim, ou metê-lo numa caixa como qualquer vulgar mercadoria e arranjar um carregador para o tirar de casa. Por fim, detive-me sobre o que considerei a melhor solução de todas. Decidi emparedá-lo na cave como, segundo as narrativas, faziam os monges da Idade Média às suas vítimas. 

A cave parecia convir perfeitamente aos meus intentos. As paredes não tinham sido feitas com os acabamentos do costume e, recentemente, tinham sido todas rebocadas com uma argamassa grossa que a humidade ambiente não deixara endurecer. Além do mais, numa das paredes havia uma saliência causada por uma chaminé falsa ou por uma lareira que tinha sido entaipada para se assemelhar ao resto da cave. Não duvidei que me seria fácil retirar os tijolos neste ponto, meter lá dentro o cadáver e tornar a pôr a taipa como antes, de modo que ninguém pudesse lobrigar qualquer sinal suspeito. 

Não me enganei nos meus cálculos. Com o auxílio de um pé-de-cabra retirei facilmente os tijolos, e depois de colocar cuidadosamente o corpo de encontro à parede interior, mantive-o naquela posição ao mesmo tempo que, com um certo trabalho, devolvia a toda a estrutura o seu aspecto primitivo. 

Usando de toda a precaução, procurei argamassa, areia e fibras com que preparei um reboco que se não distinguia do antigo e, com o maior cuidado, cobri os tijolos. Quando terminei, vi com satisfação que tudo estava certo. A parede não denunciava o menor sinal de ter sido mexida. Com o maior escrúpulo, apanhei do chão os resíduos. Olhei em volta, triunfante, e disse para comigo: «Aqui, pelo menos, não foi infrutífero o meu trabalho.» 

A seguir procurei o animal que tinha sido a causa de tanta desgraça, pois que, finalmente, tinha resolvido matá-lo. Se o tivesse encontrado naquele momento, era fatal o seu destino. Mas parecia que o astuto animal se alarmara com a violência da minha cólera anterior e evitou aparecer-me na frente, dado o meu estado de espírito. É impossível descrever ou imaginar a intensa e aprazível sensação de alívio que a ausência do detestável animal me trouxe. Não me apareceu durante toda a noite, e deste modo, pelo menos por uma noite, desde que o trouxera para casa, dormi bem e tranquilamente; sim, dormi, mesmo com o crime a pesar-me na consciência. 

Passaram-se o segundo e terceiro dias e o meu verdugo não aparecia. Mais uma vez respirei como um homem livre. O monstro, aterrorizado, tinha abandonado a casa para sempre! Nunca mais voltaria a vê-lo! 

Suprema felicidade a minha! A culpa da acção tenebrosa inquietava-me pouco. Fizeram-se alguns interrogatórios que colheram respostas satisfatórias. Fez-se inclusivamente uma busca, mas, naturalmente, nada se descobriu. Dava como certa a minha felicidade futura. 

No quarto dia após o crime, surgiu inesperadamente em minha casa um grupo de agentes da Polícia que procederam a uma rigorosa busca. Eu, porém, confiado na impenetrabilidade do esconderijo, não sentia qualquer embaraço. Os agentes quiseram que os acompanhasse na sua busca. Não deixaram o mínimo escaninho por investigar. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram à cave. Nem um músculo me tremeu. O meu coração batia calmamente como o coração de quem vive na inocência. Percorri a cave de ponta a ponta. De braços cruzados no peito, andava descontraído de um lado para o outro. Os agentes estavam completamente satisfeitos e prontos para partir. O júbilo do meu coração era demasiado intenso para que o pudesse suster. Ansiava por dizer pelo menos uma palavra à guisa de triunfo e para tornar duplamente evidente a sua convicção da minha inocência. 

- Senhores - disse por fim, quando iam a subir os degraus. - Estou satisfeito por ter dissipado as vossas suspeitas. Desejo muita saúde para todos, e um pouco mais de cortesia. A propósito, esta casa está muito bem construída (e no meu furioso desejo de dizer qualquer coisa com à-vontade, mal sabia o que estava a dizer). Direi, até, que é uma casa excelentemente construída. Estas paredes... vão-se já embora, meus senhores?... Estas paredes estão solidamente ligadas. - E neste momento, por uma frenética fanfarronice, bati com força, com uma bengala que tinha na mão, na parede atrás da qual se encontrava o cadáver da minha querida esposa. 

Ah!, que Deus me livre das garras do arquidemónio! Mal tinha o eco das minhas pancadas mergulhado no silêncio, quando uma voz lhes respondeu de dentro do túmulo: um gemido, a princípio abafado e entrecortado como o choro de urna criança, que depois se transformou num prolongado grito sonoro e contínuo, extremamente anormal e inumano. Um bramido, um uivo, misto de horror e de triunfo, tal como só do inferno poderia vir, provindo das gargantas conjuntas dos condenados na sua agonia e dos demónios no gozo da condenação. 

Seria insensato falar dos meus pensamentos. Senti-me desfalecer e encostei-me à parede da frente. Tolhidos pelo terror e pela surpresa, os agentes que subiam a escada detiveram-se por instantes. Logo a seguir, doze braços vigorosos atacavam a parede. Esta caiu de um só golpe. O cadáver, já bastante decomposto e coberto de pastas de sangue, apareceu erecto frente aos circunstantes. Sobre a cabeça, com as vermelhas fauces dilatadas e o olho solitário chispando, estava o odioso gato cuja astúcia me compelira ao crime e cuja voz delatora me entregava ao carrasco. Eu tinha emparedado o monstro no túmulo!alemdaimaginacao.com

O HOMEM DE PRETO






Seu nome era Samuel. Ele estava em apuros.
Naquela noite escura, alguém o perseguia e desejava matá-lo. Sua vida corria risco, o tempo corria contra ele.
Qualquer movimento em falso e seu destino seria irreversível. O desespero tomava conta de seus sentidos.
E agora, o que fazer? Para onde ir?
Ele, simplesmente, não sabia nem ao menos se estaria vivo no minuto seguinte.
Tudo o que queria era que seu coração se acalmasse.
O tempo estava passando e o cansaço começou a dominá-lo. Suas pernas já não reagiam mais da mesma forma.
E, pouco a pouco, ele foi diminuindo o ritmo. Teria chegado seu fim? A morte o levaria naquela noite?
Não, Samuel não queria pensar no pior.
Ele ainda poderia fugir. Queria que o pesadelo acabasse. Já não tinha mais forças para correr.

Foi quando o avistou. Saiu do meio da escuridão e escondeu-se entre as sombras. Samuel gritou.
Entretanto, quem ouviria seus gritos naquele inferno?
Não havia para onde fugir.
Eram apenas eles dois. Lembrou-se, então, do revólver que portava na cintura.
Não tinha mais balas, mas se conseguisse dar-lhe uma coronhada, ele o deixaria inconsciente e conseguiria escapar.
Virou-se e não viu ninguém. Para onde teria ido? Como desaparecera? O medo se apoderava de Samuel.
A morte estava cada vez mais perto. Ele não tinha mais fôlego para continuar correndo.
Tentava encontrar um lugar seguro, mas seria em vão, não havia nenhum daquele lado da cidade.
Não tinha ninguém para ajudá-lo. Sua vida dependeria apenas dele mesmo.
Continuou correndo e, finalmente, aproximou-se de um prédio abandonado.
Agora, poderia refletir sobre o que estava acontecendo. Nada fazia sentido.

Por que aquela estranha figura sob um manto preto o perseguia? O que queria?
Quem era ele? Pela janela do corredor, avistava-se o mar.
No entanto, não era mais azul. Estava tingido de sangue. Samuel viu centenas de corpos boiando. Mortos.
Seria o Dia do Juízo Final? ...e foi lançado no mar, como um grande monte ardendo em fogo, e se tornou em sangue a terça parte do mar. E a terça parte das criaturas que viviam no mar morreu...
A Bíblia mencionava o Apocalipse. Não, não poderia ser verdade. Ele não queria acreditar.
Por que tudo aquilo estaria acontecendo? E qual a relação entre o mar e aquele estranho homem que o perseguia?
Ouviu um barulho – havia alguém ali. Ele poderia estar errado. Melhor não se descuidar.
Caminhou em direção ao som, abriu rapidamente a porta e viu um rato correr. Avistou mais um corpo.
Mas não apenas um. Havia outros em volta. O lugar cheirava à carne podre.

Cada vez tudo parecia fazer menos sentido.
O mar. Os mortos. O estranho sob um manto negro.
A cidade destruída. Teria chegado a hora que o Homem pagaria por tanta insensatez?
Afinal, estávamos nos destruindo uns aos outros, acabando com o planeta.
Os humanos haviam se esquecido de amar. Um novo barulho chamou sua atenção.
Seria aquele homem de preto? Sim, era ele. Podia vê-lo escondido em meio às sombras.
O homem sob o manto preto começou a caminhar em sua direção.
Agora, ele não iria conseguir escapar. Mais alguns metros e ele o alcançaria. Seu coração acelerou.
Sentiu um frio no estômago.
Ele foi tomado pelo medo. Agora não poderia mais correr. Foi então que o vulto saiu das sombras e se revelou.
Ele estava agora bem à sua frente.

O homem sob o manto preto tinha um rosto desfigurado. Não havia qualquer expressão nele.
Seus olhos eram os de um psicopata que não hesitaria matar, se precisasse. Ele se aproximou, tirando um facão ensangüentado que trazia preso à perna.
Samuel, por sua vez, tirou a arma do coldre, e apontou-a em direção a ele, que erguera o braço para desferir o golpe final.
E o inesperado aconteceu.
O estranho seguiu em frente e deu um talho em um dos corpos entre as centenas de mortos à sua volta.
Fazendo um corte longitudinal, o homem tirou um pedaço de carne e começou a devorá-lo.
Samuel sentiu uma sensação de alívio mesclada a um forte enjôo provocado por aquela cena grotesca.
Tudo agora fazia mais sentido – era apenas um homem tentando sobreviver em meio àquele caos:
A voz ouvida do pássaro insólito, sobre a chaminé da lareira: tão alto subirão os alqueires de trigo, que o homem devorará o homem.

Ele recordou essa quadra de Nostradamus, escrita há muitos séculos, que dizia que a fome no mundo chegaria a tal ponto que os homens se devorariam uns aos outros. Samuel agora compreendera tudo.
A destruição não viria dos céus, mas dos homens.
O Homem concretizara seu legado de morte, dando fim à própria raça. Durante a explosão, dois dias antes, Samuel batera a cabeça contra uma parede e ficara desacordado por algum tempo. Na véspera, ouvira boatos sobre o início da Terceira Guerra Mundial.
Não eram boatos. Todos haviam morrido por causa disso.
Tudo aconteceu tão rápido que não percebera. Ao acordar, não conseguia se lembrar de nada. Foi quando o pesadelo começou.
Um pesadelo real e assustador que ele preferia jamais tivesse começado.
Queria ter morrido naquele instante para não assistir à tamanha desgraça.
Não havia o que fazer a não ser fugir e rezar para não ser devorado pelo homem de preto ou, até mesmo, por outro sobrevivente.alemdaimaginacao.com